sábado, 6 de fevereiro de 2010

coisas

Há dias em que me sinto totalmente fora de mim, em que me acho horrível e olho para os outros como se me julgassem. Sinto-me à beira do precipício, e pronta a deixar-me levar pelo vento que sopra. Aquele curto espaço de tempo em que estou a cair, sinto uma liberdade inigualável, parece durar para sempre e sinto o poder da vitória, como se todos os músculos do meu corpo estivessem totalmente descontraídos.
Quando chego ao fundo, bem lá ao fundo, e estou a milímetros de perfurar o chão que teima em vir contra mim, há algo que me faz parar e perceber que ainda não é altura de baixar os braços, é antes altura de lutar e de ser alguém, mesmo que eu não queira ser esse alguém, o objectivo é seguir em frente.
Por vezes ouço e vejo muita coisa, pessoas que me rodeiam, que passam por mim na rua, que me observem e que são igualmente observadas, pessoas que não sabem as regras, mas jogam, nesta roleta viciosa que é a vida. Dou por mim a olhar para onde não posso, para onde não consigo, e ainda assim tento, porque sei que há algo lá que valha a pena, e é então que adormeço.
Nesta fase da jornada, em que nada daquilo que sinto e vivo é realmente real, sinto-me a ser puxada para dentro de algo, e é algo que eu não quero ser, e sinto-me desiludida comigo mesma. Por vezes deito uma lágrima ou outra, mas não as sinto, deito apenas porque estão em demasia dentro de mim, e não por realmente ter necessidade de fazer aquilo a que chamam, chorar.
Por vezes sinto que tenho 12 anos, ou 13, em que tudo é um drama e quero é crescer, outras sinto-me com 50 ou 51, e penso que não vivi nem aproveitei nada da vida, e outras sou eu mesma, e penso que nada aprendi e que nada ensinei.
É nesta altura que acordo e vejo que afinal sou simplesmente eu, no meu quarto, onde a única coisa que consigo ver é a luz vermelha pequena da minha televisão, e isso é o bastante para me sentir viva. Levanto-me e vejo que ainda consigo andar, e agradeço por isso. Se estar vivo é motivo para ser feliz, então eu sou feliz. Se sentir é ser alguém, então eu sou eu mesma, e gosto.

7 comentários:

Girl in the Clouds disse...

Sim, é importante gostarmos de ser nós próprios, nunca podemos deixar de ser nós próprios e a opinião dos outros não importa!!

Martinha disse...

Podia muito bem ser um texto a descrever-me :)
temos de gostar de nós próprios acima de tudo!

D* disse...

Revi-me tanto neste texto... "Por vezes sinto que tenho 12 anos, ou 13, em que tudo é um drama e quero é crescer, outras sinto-me com 50 ou 51, e penso que não vivi nem aproveitei nada da vida" o importante é viver!
Beijinhos**

Vera disse...

Compreendo-te.

A vida tem q ser assim. Muito boa, algo má, um pouco confusa... Senão n tinha piada! =)

Rosie disse...

revejo-me neste texto, muito :)

Olhos Dourados disse...

Há fases assim.

Anónimo disse...

Gostei muito do blog